ou um otimista. Vou logo avisando, para que, mais tarde, não me acusem de ver tudo pelo lado bom. Isso não faz de mim um tolo. Sei bem das mazelas que nos cercam, mas acho que o país caminha no rumo certo em muitas áreas, com progressos visíveis.
Um bom exemplo é a educação. Há 10 ou 15 anos, havia uma percepção generalizada de que o ensino público era de péssima qualidade. Mas só isso: uma certeza vaga, cenas de escolas depauperadas na TV, raros alunos da escola pública na universidade que se supunha pública. Hoje sabemos: a educação é de péssima qualidade. O que mudou? Muita coisa.
Desde que foram criados os sistemas de avaliação - como o Enem, cujos resultados catastróficos de 2008 saíram na semana passada - e indicadores de desempenho de alunos e escolas, não apenas temos clareza de que estamos no buraco; podemos medir o tamanho do buraco. E é possível agora estabelecer metas de quanto subir a cada ano para, num prazo viável, sair dessa situação.
Sem isso, a educação continuaria refém do discurso fácil de políticos que prometem, a cada quatro anos, que o aprendizado das crianças será prioridade de seu mandato. É prioridade? Ótimo. Na próxima eleição, mostre seus resultados. Avaliar o ensino a partir de critérios objetivos e mensuráveis é uma tendência que veio para ficar e, tudo indica, vai além de mandatos e partidos. Algo parecido com o que se viu, na gestão da política econômica, entre os governos FHC e Lula.
Isso não quer dizer, entretanto, que basta estarmos no caminho certo e que, como costumam dizer autoridades da educação, leva tempo para as coisas melhorarem. Precisamos de movimento, o que pede direção, é claro, mas também velocidade.
Fatos como esses dão razão a quem acredita que há mudanças positivas no Brasil. Outro exemplo? Assistimos a uma explosão dos casos de pedofilia e abuso sexual contra crianças. Mais do que uma epidemia repentina, porém, há um significativo aumento das denúncias. O serviço de atendimento a esse tipo de violência recebeu em 2008 cerca de cem ligações diárias; em 2003, quando foi criado, eram 12. É como se o país tivesse acordado para o crime sexual contra crianças, tolerando cada vez menos uma prática que remonta à época em que os portugueses desembarcaram por aqui.
Ser otimista pode ser um problema, como alertou Fábio Santos na segunda-feira. Mas não enxergar progressos é tão grave quanto estar cego para o que vai errado. Repetir que nada melhora só reforça o imobilismo. Por isso, ainda acho que canja de galinha e uma boa dose de otimismo não fazem mal a ninguém.
Primeira coluna publicada por mim no Destak
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