Na primeira coluna dessa série sobre a educação nas eleições, escrevi que o ensino público prometia ser "um dos pontos centrais das campanhas eleitorais deste ano, tanto para a presidência como para os governos estaduais". Até agora, esse prognóstico não se confirmou; não na medida em que se esperava.Os candidatos têm basicamente repetido meia dúzia de promessas, como a de criação de mais vagas no ensino profissional e a dita "valorização" dos professores, que nada mais é do que aumento de salários. São promessas que atendem necessidades captadas pelas pesquisas de opinião pública, que orientam as campanhas dos candidatos.
Também orientados pelas sondagens eleitorais, os candidatos centram fogo principalmente na saúde. O levantamento do Jornal Nacional , da TV Globo, divulgado na segunda-feira, apenas confirmou o que outras pesquisas já mostraram: a saúde é a principal preocupação dos brasileiros, apontada por 41% dos entrevistados. A educação aparece em segundo (16%), praticamente empatada com a segurança pública (13%).
Não é difícil entender a percepção do eleitorado. É natural que as pessoas se voltem para o que consideram mais urgente, para necessidades imediatas que, uma vez atendidas, melhoram de forma evidente a qualidade de vida. Mas não é só isso. Enquanto o acesso à sala de aula é questão praticamente resolvida, conseguir atendimento em hospitais públicos ainda é um problema para a maioria da população.
No entanto, da perspectiva do direito de aprender das crianças e jovens, a educação pública é uma tragédia. Guardadas as proporções, é como se a maioria das pessoas que procuram os serviços públicos de saúde continuasse cronicamente doente ou morresse. Construir escolas não basta; é a qualidade do ensino a chave para assegurar o direito pleno à educação. A educação também é emergência, mas cobra seu preço no futuro. É lá que a falta de um aprendizado adequado vai mostrar seus resultados danosos.
É claro que há avanços: o Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb) tem mostrado melhora, mas não na velocidade ideal, e ainda com grande desigualdade entre as regiões e muitas vezes num mesmo Estado.
Esta é a última coluna da série sobre educação e eleições a que me propus. Espero que tenha sido de alguma utilidade.
Texto publicado na minha coluna no Destak, 18/8
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