Muita gente, porém, ainda abre o vidro do carro para simplesmente lançar suas sobras ao vento; ou deixa latinhas e garrafinhas na praia, como se um garçom fosse passar em seguida e tirar a mesa; ou coloca os sacos de lixo para fora sem se importar se o caminhão vai passar para recolher hoje, amanhã ou na semana que vem. O mesmo vale para o esgoto: apertamos a descarga e, por favor, não pergunte para onde vai tudo aquilo que não gostamos nem de nominar.
A comparação, ainda que um pouco exagerada, vale para evidenciar como tendemos a tratar como nosso só aquilo que ganhamos e valorizamos e como transferimos para toda a sociedade a responsabilidade pela as coisas que nos incomodam e das quais queremos nos livrar.
É o caso do lixo, um problema cada vez mais sério nas grandes cidades brasileiras, como mostram as recentes enchentes em São Paulo e a iniciativa da Prefeitura do Rio de instalar um "lixômetro" em Copacabana para que os moradores do bairro tenham noção da quantidade de lixo recolhido da rua.
A solução do problema vai exigir que a população aprenda a lidar melhor com suas sobras e dejetos, admitindo que cada um deve cuidar um pouco de seu próprio lixo, com menos nojo e maior preocupação com a coletividade. Jogar a sujeira de cada um no colo de todos, esperando que ela desapareça da forma mais indolor (ou menos malcheirosa) possível, está longe do caminho ideal. Se roupa suja se lava em casa, é legítimo afirmar que o lixo deve, ao menos, sair arrumado de lá.
O mínimo que se espera é que o cidadão consiga se aguentar com a lata de refrigerante ou o saco vazio de biscoito até a lixeira mais próxima. Vencida essa etapa, talvez não seja difícil manter o resto do lanche no carro até chegar em casa. E, como quer fazer valer a Prefeitura de São Paulo, passar a colocar os sacos para fora de casa no horário certo, evitando que uma parte dos dejetos acabe nos bueiros, por exemplo.
O maior objetivo, porém, é aumentar a coleta seletiva e a reciclagem no país, ainda muito pequenas. Mal sabemos como fazer isso direito, e as iniciativas existentes têm abrangência tímida.
Para isso, teremos de vencer de vez a dificuldade cultural de mexer (literalmente) com o lixo.
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