A mais recente pesquisa do instituto Datafolha de intenção de voto para presidente, divulgada no final da semana passada, traz duas tendências claras que, embora tenham sentidos opostos, se complementam.
Por um lado, observa-se um alto grau de cristalização dos votos: 89% dizem que estão totalmente decididos. Ao mesmo tempo, a pequena parcela restante não apenas declara que ainda pode mudar de voto, mas efetivamente tem oscilado bastante. São eleitores que se recusam a parar quietos, e, por isso, é mais difícil colocá-los no foco na hora da foto. Nesse cenário, as mulheres apresentam um comportamento bem particular.
Não é exagero dizer que pode estar nas mãos delas a decisão sobre quem subirá a rampa do Palácio do Planalto em 1º de janeiro de 2011.
Desde as primeiras pesquisas de intenção de voto, a candidata do PT, Dilma Rousseff, conta com uma diferença significativa de intenções de voto entre os eleitorados masculino e feminino. É o chamado "gap de gênero", que também se observa na popularidade do presidente Lula. Em meados de julho, por exemplo, enquanto 42% dos homens diziam votar em Dilma, 30% das mulheres expressavam a mesma preferência (uma diferença de 12 pontos percentuais). No caso do tucano José Serra, essa distância era de dois pontos a mais no eleitorado feminino.
Quando Dilma cresceu e assumiu a liderança nas pesquisas do primeiro turno, trouxe com ela mais votos femininos. Entre 23 de julho e 24 de agosto, a petista subiu 15 pontos entre as mulheres e 11 pontos entre os homens, reduzindo o gap para oito pontos. Na reta final, Marina Silva (PV) cresceu entre as mulheres, roubando votos principalmente de Dilma, e esse foi um dos fatores que contribuíram para a realização de segundo turno.
Entre os homens, a mudança de voto foi menor.Agora, Dilma e Serra estão empatados no eleitorado feminino com 43% da preferência. Entre os homens, a petista tem 51% das intenções de voto, ante 39% do tucano. Brancos, nulos e indecisos representam 10% do eleitorado masculino, enquanto 14% das mulheres não sabem qual dos dois escolher ou declaram que vão votar branco ou nulo.
Num segundo turno em que o vencedor deve sair por margem apertada, as mulheres, indecisas em maior número e mais propensas a trocar de candidato, podem fazer toda a diferença.
Texto publicado em minha coluna no Destak, 20/10
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