Por muito tempo na vida, tudo o que queremos é ser amados. Isso muda. Amar vai se tornando aos poucos tão ou mais gratificante. A capacidade de amar cresce à medida que nos vemos diante de novos laços, papéis, experiências. Vem chegando sempre mais gente e não falta espaço. Assim é o coração. O único território que cresce à medida que a população aumenta, de forma que a densidade se mantém constante: um habitante por infinitos quilômetros quadrados.
As novas paixões vão se somando às antigas, sem que muitas vezes estejamos prontos. Dizem que é preciso tomar cuidado com o que se deseja. Buscamos uma nova razão de viver e no meio do caminho encontramos mais do que imaginávamos. Mas não é sempre assim? Os amores, como quase tudo o que é importante, acontecem quando estamos ocupados demais fazendo planos (essa é de John Lennon). Fácil não é. E você quer o quê? Viver voando a uma altura segura? - perguntou-me certa vez um amigo que acompanhou de perto o surgimento de minha nova paixão não inteiramente planejada.
Nos últimos meses oscilei entre fascinado e atordoado diante da multiplicidade amorosa. Por trás das preocupações práticas (afinal, dá trabalho), escondiam-se o medo de não conseguir me dividir de forma satisfatória, a angústia pela possibilidade de não dar conta da demanda afetiva, a perplexidade com o novo elevado à terceira potência e, às vezes, até uma incômoda sensação de inadequação: "Talvez seja muito velho para isso".
Nada como a proximidade física para aplacar temores: o toque, a respiração, os menores detalhes transformados em fontes de descobertas. Um conhecimento mútuo que está só no começo, milímetros percorridos de um caminho de toda a vida. Passo a passo, três pequenas criaturas vão ocupando um lugar que será sempre delas. Num processo que ainda estamos distantes de compreender, são objeto do amor e agentes da transformação daqueles que as amam de forma incondicional, como já tive o privilégio de aprender uma vez, há sete anos, e estou reaprendendo.
É isso aí: desde o dia 5 de setembro, sou pai novamente, desta vez de trigêmeos, e me dedico a esses três novos amores com paixão renovada, tentando não descuidar dos demais ocupantes do meu território afetivo repentinamente expandido.
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