Um estudo do National Institute for Health and Clinical Excellence do
Reino Unido, publicado ontem pelo Destak, alerta para um problema que
muita gente sente na pele: a postura negativa dos chefes no trabalho
representa grande risco à saúde mental dos empregados.
Segundo o instituto, doenças como estresse, ansiedade e
depressão associadas ao trabalho custam por ano mais de US$ 46 bilhões. O
prejuízo vem das faltas no trabalho e da queda de produtividade. Para
os pesquisadores, "medidas simples", como um comentário positivo após um
trabalho bem-feito e recompensas por bom desempenho, podem reduzir a
incidência dessas doenças.
No entanto, quem já viveu um pouco do mundo corporativo sabe que
o problema, além de muito antigo, não é nada simples, especialmente em
um país com tradição de relações autoritárias como o Brasil.
Apesar da modernização das ferramentas de gestão, ainda
prevalece, mesmo que de forma inconsciente, a ideia de que ser chefe é
ter o direito de mandar. A quem tem algum juízo, cabe obedecer e,
naturalmente, passar os anos nutrindo a esperança de um dia ocupar uma
posição de poder. Aí será a sua vez de mandar, do que jeito que bem
entender. E carregando os efeitos nocivos do estresse vivido antes.
Assim, cria-se o ciclo vicioso em que os profissionais tendem a
reproduzir o comportamento doentio de chefes ruins com quem trabalharam,
simplesmente porque a empresa lhes outorgou esse direito ou, então,
porque incorporaram práticas autoritárias e negativas como corretas. Se
dava certo (ou dava resultados) com o meu chefe, vai dar certo comigo.
Fica claro, portanto, que essa bola está no campo das empresas.
São principalmente elas que podem mudar essa realidade, criando
políticas internas de respeito às pessoas e, como recomenda o próprio
instituto que fez a pesquisa no Reino Unido, investindo no treinamento
de seus gestores. Se, ao longo da carreira, eles tiveram poucas
oportunidades de aprender a como lidar com as pessoas - o que, na
verdade, deveria ser parte fundamental da formação de qualquer um com
aspirações a cargo de chefia -, nunca é tarde para começar.
As corporações precisam abrir mão da visão míope dos resultados
de curto prazo, obtidos a qualquer preço e até com perda de dinheiro,
que entra por um lado e sai por outro. O investimento nas pessoas é de
longo prazo, mas pode trazer sucesso duradouro, como atestam
especialistas e empresas que adotaram esse caminho.