quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

VIVER OS PARADOXOS


 
Para onde olhamos, encontramos um número crescente de pessoas em busca de certezas, respostas exatas, caminhos únicos, receitas prontas e objetivos bem definidos. Essa procura, no entanto, além de extremamente angustiante costuma trazes mais frustrações do que alegrias.

A realidade da maioria de nós é bem mais complexa e repleta de variáveis do que gostaríamos. O que predomina são as dúvidas, as múltiplas possibilidades e as ambiguidades. Isso vale para os diversos papéis que desempenhamos, na vida pessoal e profissional.

O jeito, então, é vivenciar os paradoxos que a vida nos apresenta, se equilibrando entre ideias aparentemente contraditórias e tentando chegar a alguma forma de equilíbrio no espaço de decisão e atuação que há entre os extremos.

Um exemplo é a fixação de padrões absolutos de perfeição sem a consciência de que são, por natureza, inatingíveis. Também não vale simplesmente desistir e, desde o início, aceitar um resultado insatisfatório. A alternativa é experimentar de forma positiva o esforço de fazer o melhor sabendo de antemão que o desfecho ficará abaixo do ideal imaginado.

Em outro campo, é comum ouvir as pessoas se afastarem de situações diferentes daquelas com as quais estão acostumadas dizendo respeitar seus limites, ignorando o risco de criarem uma fortaleza própria, em que podem acabar isoladas. A consciência sobre este paradoxo ajuda a achar um meio termo adequado a cada um.

Bastante comum também é a noção de que o planejamento existe para evitar a improvisação, a decisão de última hora, as escolhas imprevistas. Na verdade, em alguns casos, planejar é o primeiro e fundamental passo para poder improvisar. O planejamento bem feito dá norte para mudanças de rota que possibilitam à adequação às novidades que surgem cotidianamente.

E voltando a afirmação inicial deste texto: as dúvidas são essenciais para se de construir certezas robustas. Questionar as certezas, mesmo aquelas que parecem mais sedimentadas, é a abordagem efetiva para a formulação de convicções que sirvam de faróis, não de amarras.

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