Todo mundo que tem hoje mais de 40 anos provavelmente se lembra de O
Menino da Bolha de Plástico, de 1976. Com o então novato John Travolta, o
filme, baseado em uma história real, marcou época à sua maneira, um tanto
piegas, ao contar a trajetória de um garoto que nasceu com uma deficiência rara do sistema imunológico e cresceu dentro de uma bolha de plástico,
protegido dos microrganismos que ameaçavam sua vida.
Aos olhos de uma boa parcela dos pais contemporâneos, as ameaças hoje
parecem se multiplicar em centenas de formas diferentes e eles, às vezes sem
perceber, criam para seus filhos
bolhas de plástico capazes de durar muitos anos. Na semana passada
mesmo, o Destak publicou matéria sobre condomínios que estão multando quem fala
palavrão. A motivação: proteger as crianças desses termos perigosos ditos em voz
alta. “Fica chato para quem mora aqui ter de ouvir palavrões ao lado dos
filhos”, argumentava um condômino.
Fica chato ou dá trabalho? Educar um filho é, em grande parte,
ajudá-lo na tarefa de travar contato com o mundo que o cerca ou, em outras
palavras, intermediar a relação da criança com as descobertas. A criança vê ou ouve
algo novo, faz perguntas, ouve respostas, recebe ensinamentos e assim vai se
preparando para a vida adulta. Parece até simples, mas dá trabalho.
Principalmente porque a realidade vai colocando diante da criança uma série de
coisas com as quais os pais devem ajudá-la a lidar, diferenciando, por exemplo,
o certo do errado. Mais confortável seria se nada de “ruim” estivesse pelo
caminho. E ao ir removendo esses pequenos obstáculos os adultos vão criando uma
bolha de plástico em que talvez eles próprios preferissem viver.

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