quarta-feira, 31 de julho de 2013
Chefe doente gera chefe doente
Um estudo do National Institute for Health and Clinical Excellence do Reino Unido, publicado ontem pelo Destak, alerta para um problema que muita gente sente na pele: a postura negativa dos chefes no trabalho representa grande risco à saúde mental dos empregados.
Segundo o instituto, doenças como estresse, ansiedade e depressão associadas ao trabalho custam por ano mais de US$ 46 bilhões. O prejuízo vem das faltas no trabalho e da queda de produtividade. Para os pesquisadores, "medidas simples", como um comentário positivo após um trabalho bem-feito e recompensas por bom desempenho, podem reduzir a incidência dessas doenças.
No entanto, quem já viveu um pouco do mundo corporativo sabe que o problema, além de muito antigo, não é nada simples, especialmente em um país com tradição de relações autoritárias como o Brasil.
Apesar da modernização das ferramentas de gestão, ainda prevalece, mesmo que de forma inconsciente, a ideia de que ser chefe é ter o direito de mandar. A quem tem algum juízo, cabe obedecer e, naturalmente, passar os anos nutrindo a esperança de um dia ocupar uma posição de poder. Aí será a sua vez de mandar, do que jeito que bem entender. E carregando os efeitos nocivos do estresse vivido antes.
Assim, cria-se o ciclo vicioso em que os profissionais tendem a reproduzir o comportamento doentio de chefes ruins com quem trabalharam, simplesmente porque a empresa lhes outorgou esse direito ou, então, porque incorporaram práticas autoritárias e negativas como corretas. Se dava certo (ou dava resultados) com o meu chefe, vai dar certo comigo.
Fica claro, portanto, que essa bola está no campo das empresas. São principalmente elas que podem mudar essa realidade, criando políticas internas de respeito às pessoas e, como recomenda o próprio instituto que fez a pesquisa no Reino Unido, investindo no treinamento de seus gestores. Se, ao longo da carreira, eles tiveram poucas oportunidades de aprender a como lidar com as pessoas - o que, na verdade, deveria ser parte fundamental da formação de qualquer um com aspirações a cargo de chefia -, nunca é tarde para começar.
As corporações precisam abrir mão da visão míope dos resultados de curto prazo, obtidos a qualquer preço e até com perda de dinheiro, que entra por um lado e sai por outro. O investimento nas pessoas é de longo prazo, mas pode trazer sucesso duradouro, como atestam especialistas e empresas que adotaram esse caminho.
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