Bolsonaro e generais hoje tentam "fechar à francesa". Mandam recado e procuram na corte quem está disposto a ser corajoso.
Se nada der certo, resta fechar "à gandresa", uma opção clássica pelo ato de força com verniz jurídico encomendado ao pincel de Ives Gandra e dos gandretes.
Juristas que subscrevem Bolsonaro gozam de respeitabilidade similar à de Olavo de Carvalho na filosofia, na astrologia ou na proctologia. Gandra declarou que "Olavo é um mestre de todos nós". Gandretes, discípulos do discípulo de Olavo, são alunos da escola cínica da jurisprudência brasileira.
As proposições de Gandra e gandretes orbitavam a pré-constitucionalidade. Até ontem esposavam a tese pré-constitucional da intervenção militar. São adeptos do que Gilmar Mendes chamou de "tese de lunático" e Luís Roberto Barroso de "terraplanismo jurídico".
Gandretes estão prontos a nos levar, sem escalas, à pós-constitucionalidade. André Mendonça, por exemplo, tirou da cartola a ideia de que relatórios sigilosos da polícia do pensamento não se submetem a controle judicial, mesmo quando violam direitos. Como se ação judicial significasse quebra de sigilo.
Para reforçar o clima de normalidade jurídica, o presidente pode ainda convidar os profetas da democracia "risco-zero" a recauchutarem seus textos sobre normalidade política. Foram bastante vocais quando da eleição de Bolsonaro e desfilaram, em linguagem faceira, evidências de "risco-zero". Olavo nenhum da ciência política botaria defeito.
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