O assunto desta coluna talvez já seja de domínio de parte dos leitores.
Encontro, porém, com bastante frequência, quem não saiba dizer com
precisão como funciona o sistema eleitoral por meio do qual são
compostas a Câmara dos Deputados, as assembleias legislativas nos
Estados e a Câmara Distrital do DF. Um sistema, alías, que precisa de
uma reforma urgente, já tantas vezes adiada, para melhor refletir a
vontade do eleitor.
A eleição do presidente da República e dos governadores dos
Estados é simples: ganha o candidato com mais votos. É o chamado sistema
majoritário, que também elege os senadores.
Para as câmaras e assembleias legislativas, vale, no entanto, o
sistema proporcional, em que as vagas são distribuídas entre os partidos
na proporção dos votos obtidos por eles.
Imagine que você quer mandar para a câmara o Manoel, do PX. Ao
votar nele, seu voto vai primeiro para o partido e, depois, para o
candidato. Se o voto carregasse uma mensagem, ela seria mais ou menos a
seguinte: quero eleger um deputado do PX e, se o PX eleger apenas um
candidato, quero que seja o Manoel.
Fechadas as urnas e contados os votos, calculam-se a quantas
cadeiras no parlamento cada partido terá direito. Essa é a primeira
função do voto: determinar a divisão das vagas entre os partidos. Em
seguida, ordenar, dentro de cada partido, os mais votados. Assim,
primeiro são somados os votos dados ao PX. Se esse partido conseguir
eleger dez deputados, o Manoel tem de estar entre os dez mais votados do
PX para conseguir uma vaga em Brasília.
É fundamental que o eleitor entenda isso e fique atento. Ao
votar no Manoel, você ajudará a eleger outros candidatos do PX, que
talvez nem conheça direito. Portanto, além de analisar o candidato, é
preciso analisar o partido.
E mais: se o partido está coligado com outros, o raciocínio
descrito acima vale para a coligação. Ou seja, o voto em um deputado de
um partido da coligação vai contar para determinar com quantas vagas
fica a coligação toda.
Nessa eleição em que muita gente está de olho no histórico dos
candidatos na Justiça, não adianta muita coisa votar num candidato
"ficha limpa" se o partido dele não filtrar os postulantes. No final das
contas, esse voto pode ajudar a eleger um "ficha suja".
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