segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024


 Imagine alguém dirigindo e olhando apenas para o retrovisor; um desastre anunciado, certo? Não demora muito tempo para trombar com algo que apareça pela frente.

É assim com o pensamento passadista, que valoriza apenas e tão somente o que já ficou para trás, ignorando ou rejeitando as mudanças do presente. Não se trata de um comportamento conservador ou de simples saudosismo.

A abordagem passadista busca o tempo todo comparar o momento atual, geralmente destacando os aspectos negativos, com um passado muitas vezes idealizado, quase perfeito.

Além de disseminar com frequência uma visão distorcida dos fatos, alguém com esse tipo de pensamento tende a enfrentar uma série de desafios na vida pessoal e profissional. A começar pela dificuldade em compreender e se adaptar a contextos crescentemente complexos e dinâmicos. E, acima de tudo, por não conseguir fazer a síntese entre valores e comportamentos do passado com as inovações que surgem cotidianamente.

Voltando a imagem do motorista, dirigir olhando apenas para frente também é uma imprudência. Conhecer a história, valorizar conquistas alcançadas, preservar metodologias eficazes...tudo isso é a base sobre a qual se pode construir um futuro sustentável. Mas sem ignorar novidades que podem apontar para avanços ainda mais significativos e ajudar a evitar a repetição de erros.

Um olhar amplo, levando em conta vários aspectos do ambiente, faz não apenas bons motoristas, mas pessoas e profissionais mais bem preparados.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024


 Aqui é só uma ideia...tipo de coisa essencial para manter a sanidade mental, na vida profissional ou na vida pessoal


 Cada vez mais, as pessoas parecem ter dificuldade em distinguir a observação e a análise objetivas das percepções subjetivas (que também têm seu valor). Isso dificulta o diálogo mais frutífero, em que subjetividades podem se encontrar e se misturar abrindo possibilidades e sínteses até ali desconhecidas.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

 

Sabe aquela história de levar trabalho para casa? 


Muito pior é levar para as questões familiares, para as relações pessoais e para a vida em sociedade padrões de qualidade, eficiência e produtividade que servem apenas ao mundo empresarial. 


Para lidar com a complexidade da esfera pessoal, repleta de emoções e imprevisibilidades, procure subsídios na psicologia, na psicanálise, na filosofia, na ficção, na história e na escuta atenta de tudo o que dizem e contam as pessoas ao seu redor.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

RETOMANDO DE ALGUM LUGAR NO TEMPO E NO ESPAÇO

 O texto publicado hoje aqui, sobre a importância de vivenciar os paradoxos ao nosso redor, em vez de tentar ignorá-los, representa a retomada das atividades deste blog. De onde parou? Não! 2020 era uma outra realidade. Talvez de antes...das colunas do Destak, mas, é claro, sem ignorar acontecimentos e reflexões dos anos recentes. E, mais importante, sempre em movimento...

VIVER OS PARADOXOS


 
Para onde olhamos, encontramos um número crescente de pessoas em busca de certezas, respostas exatas, caminhos únicos, receitas prontas e objetivos bem definidos. Essa procura, no entanto, além de extremamente angustiante costuma trazes mais frustrações do que alegrias.

A realidade da maioria de nós é bem mais complexa e repleta de variáveis do que gostaríamos. O que predomina são as dúvidas, as múltiplas possibilidades e as ambiguidades. Isso vale para os diversos papéis que desempenhamos, na vida pessoal e profissional.

O jeito, então, é vivenciar os paradoxos que a vida nos apresenta, se equilibrando entre ideias aparentemente contraditórias e tentando chegar a alguma forma de equilíbrio no espaço de decisão e atuação que há entre os extremos.

Um exemplo é a fixação de padrões absolutos de perfeição sem a consciência de que são, por natureza, inatingíveis. Também não vale simplesmente desistir e, desde o início, aceitar um resultado insatisfatório. A alternativa é experimentar de forma positiva o esforço de fazer o melhor sabendo de antemão que o desfecho ficará abaixo do ideal imaginado.

Em outro campo, é comum ouvir as pessoas se afastarem de situações diferentes daquelas com as quais estão acostumadas dizendo respeitar seus limites, ignorando o risco de criarem uma fortaleza própria, em que podem acabar isoladas. A consciência sobre este paradoxo ajuda a achar um meio termo adequado a cada um.

Bastante comum também é a noção de que o planejamento existe para evitar a improvisação, a decisão de última hora, as escolhas imprevistas. Na verdade, em alguns casos, planejar é o primeiro e fundamental passo para poder improvisar. O planejamento bem feito dá norte para mudanças de rota que possibilitam à adequação às novidades que surgem cotidianamente.

E voltando a afirmação inicial deste texto: as dúvidas são essenciais para se de construir certezas robustas. Questionar as certezas, mesmo aquelas que parecem mais sedimentadas, é a abordagem efetiva para a formulação de convicções que sirvam de faróis, não de amarras.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Vacinas e a (falsa) questão da liberdade individual


 Escrevi há algum tempo que...
 

Ao ouvir alguém encher a boca para falar em liberdade, cuidado! Talvez ele ou ela não esteja se referindo à liberdade regulada pelas leis no Estado democrático de direito. Mas à liberdade do "cada um faz o que quer". Exemplos?
Liberdade de divulgar notícias falsas...
Liberdade de dirigir em alta velocidade sem medo de multas...
Liberdade de continuar fazendo piadas com negros, gays e mulheres...
Liberdade de pescar e caçar em áreas que deveriam ser protegidas...
Liberdade de não seguir as orientações das autoridades de saúde...
Liberdade de desmatar...
Liberdade de andar por aí armado e usar sua a arma de acordo com seus próprios critérios...
Liberdade de cobrar preços abusivos...
e até...
Liberdade para atacar os direitos e as liberdades dos outros...

É dessa liberdade que o presidente Bolsonaro fala ao pregar o salve-se quem puder na pandemia de Covid-19, o que inclui a decisão de tomar ou não vacina e estender tal decisão a crianças que não podem escolher.

Pra começar, não é verdade que ninguém é obrigado a se vacinar: https://g1.globo.com/fato-ou-fake/coronavirus/noticia/2020/09/02/e-fake-que-governo-nao-pode-obrigar-pessoas-a-se-vacinar-contra-covid-19.ghtml

O mais importante, porém, é o que levanta Thiago Amparo, professor da FGV Direito SP, em artigo na Folha de S. Paulo (https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/09/presidente-usa-liberdade-individual-para-legitimar-discurso-anticientifico.shtml).

O fala de Bolsonaro é mais um exemplo do movimento que assola o mundo é caracteriza pelo negacionismo, pelo combate à ciência, pelo disseminação de fake news, pelo divisionismo e pelo ódio.  Ao mesmo tempo, tenta-se legitimar  isso tudo com uma retórica de liberdade e moral...na verdade, trata-se de um movimento autoritário que ameaça a democracia e os avanços civilizatórios das décadas recentes. 

 Escreve o professor:

Para indivíduos atomizados, pouco solidários, como esses que lotam as praias, chega a ser difícil de entender que existam problemas coletivos que requerem soluções coletivas. Debater vacinação como se fosse uma questão de liberdade individual é um luxo que somente existe justamente por causa de sistemas eficazes de vacinação.

No caso da Covid-19, nem esse luxo –conseguido a muito custo pela ciência– temos. Ao endossar discurso antivacina, Bolsonaro escandaliza, mas o faz estrategicamente: reforça conspirações anticientíficas com o intuito de roer o que resta de sistemas de solidariedade em matéria de saúde pública. Dentro do Cavalo de Troia antivacina, há um futuro individualista e, literalmente, doente.

É isso! O que não podemos é cair na armadilha dessas falsas polêmicas. A garantia das liberdades individuais é legítima e essencial. Mas em diversas situações o interesse coletivo se sobrepõe. As crises de saúde pública são um ótimo exemplo. Essa visão é uma conquista da humanidade, especialmente após a Segunda Guerra Mundial e não pode ser jogada no lixo.