quarta-feira, 23 de maio de 2012

Generosidade no dia a dia

Poucos temas me animam tanto quanto o da generosidade. Por isso, a coluna de Fábio Santos publicada aqui na segunda-feira veio bem a calhar: além de trazer informações novas e essenciais, me levou a perguntar por que nunca escrevi sobre isso e despertou em mim a vontade de organizar algumas reflexões. 

Não é de hoje que digo que a generosidade é a maior qualidade que alguém pode ter. Falo mais com o sentimento do que com a razão, admito, até porque não é fácil definir a generosidade a que me refiro. 

Há, evidentemente, a generosidade que se expressa pelos grande atos, mas que costumam ser efêmeros. É no dia a dia que a generosidade se expressa de forma mais genuína e deixa marcas mais perenes. Dividir o espaço público sem achar que está fazendo um favor. Parar alguns minutos, no meio da correria, e perguntar a um amigo sobre a evolução de um problema que ele está enfrentando. E o que dizer de um "muito obrigado" a alguém que não vai lhe dar nada em troca? Vale também um sorriso e a acolhida àquele novo colega de trabalho. 

A generosidade, acredito, é irmã da tolerância, e as duas, primas não muito distantes da paciência. Conviver com as diferenças, dar o benefício da dúvida, aceitar o erro do outro é ser generoso. Rir de si mesmo também: uma generosidade consigo mesmo que pode surtir mais efeitos positivos que um chocolate. Da terra fértil, se diz que é generosa; também o é aquele que assume a responsabilidade da paternidade. E se ser generoso é aceitar o erro, como fica isso quando se trata da educação dos filhos? Aí, por mais paradoxal que pareça, a generosidade está tanto na aceitação da falha como na disposição para repreender e ensinar o certo. Ao educar é um pouco de si que se dá; afinal, é trabalhoso e a criança vai ganhar mais no longo prazo do que você no curto prazo. Compartilhar o conhecimento é generosidade em estado puro; vale ouro, vale mais que ouro. O mesmo se aplica ao artista que leva a público suas obras, apesar da dor da criação. Por fim, também é possível ser generoso com o futuro, ao se deixar contaminar de certa dose de otimismo. 

Ser generoso é, enfim, ser humano, até pelo prazer (um tanto vaidoso, confesso) que o ato carrega.

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